CRONOANÁLISE: CONFIRA QUAIS SÃO AS SUAS ETAPAS E COMO APLICAR EM EMPRESAS

				
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O que você vai aprender

  • 9Minutos

Cronoanálise: confira quais são as suas etapas e como aplicar em empresas

 

A cronoanálise é um dos fatores que ganhou destaque e tem auxiliado na tomada de decisões das empresas e no planejamento da produção. É uma ferramenta necessária devido a evolução tecnológica e o aumento de competitividade. Ambos os fatores obrigaram as empresas a buscarem técnicas para aumentar a sua produtividade.

Neste texto abordaremos os objetivos dessa ferramenta, seus benefícios e a importância de utilizar cronoanálise dentro da sua empresa. Além disso, vamos explicar detalhadamente como aplicá-la nos negócios.

 

O que é cronoanálise?

A cronoanálise nada mais é do que o estudo dos tempos e movimentos dentro da indústria, com foco nas tarefas de um processo produtivo. Essa metodologia foi criada no início do século XX pelos engenheiros americanos Frank Gilbreth e Frederick Taylor. Nesse sentido, eles perceberam que o tempo era o principal fator na busca por mais produtividade e eficiência na linha de produção.

Além de ter um papel muito importante para o setor produtivo, a cronoanálise está muito ligada ao Lean Manufacturing. Nele, é necessário ter o total conhecimento e controle dos processos para que eles sejam melhorados. 

A execução da cronoanálise é dividida por etapas, tendo como um de seus objetivos encontrar o tempo padrão a partir da cronometragem. Com esse indicador em mãos, será possível iniciar uma variedade de análises sobre a produtividade da empresa.

 

Qual a relação entre cronoanálise e cronometragem?

Muitas pessoas confundem a cronoanálise com a cronometragem, no entanto, a cronometragem nada mais é do que uma das etapas da cronoanálise.

A cronometragem é a ferramenta para coletar o tempo que cada operador leva para realizar uma tarefa, ou seja, é a técnica de obter os tempos de processos que, numa análise mais completa, se tornarão a própria cronoanálise.

Cronoanálise e cronometragem

 

Para que serve a cronoanálise?

A cronoanálise tem como objetivo principal determinar a capacidade produtiva de um setor ou de uma linha de produção.

Porém, utilizando a cronoanálise, é possível obter dados seguros com relação ao tempo padrão de atividades, que é a base para definições como: 

 

Dentre as aplicações citadas para a cronoanálise, alguns exemplos aplicados são descritos a seguir:

  1. Utilização do tempo padrão como um dos parâmetros para a constituição do custo industrial através da relação tempo padrão x custo minuto do setor produtivo.
  2. Analisar os materiais, ferramentas e equipamentos utilizados na produção, com o objetivo determinar os melhores métodos de trabalho para a execução das tarefas de forma mais eficiente.
  3. Padronizar as tarefas e responsabilizar o operador para o cumprimento dos tempos e métodos;
  4. Otimizar a execução de uma operação utilizando dos movimentos mais simples, mais rápidos, de menor fadiga e com maior valor de trabalho agregado.

 

Benefícios da cronoanálise

A cronoanálise é uma ótima ferramenta para melhoria contínua dos processos nas indústrias. Com ela, é possível entender a quantidade de tempo que está sendo efetivamente utilizado em tarefas no processo produtivo.

 

Leia também: Kaizen: Saiba tudo sobre o método de melhoria contínua 

 

Através dos dados coletados pela utilização da ferramenta, pode-se identificar com mais facilidade os gargalos da produção e visualizar informações sobre a produtividade da empresa.

Alguns dos benefícios da cronoanálise:

  1.  Identificar com facilidade os gargalos das operações
  2. Aumento da produtividade
  3. Padronização dos processos
  4. Diminuição das perdas por movimentação
  5. Quantificar a ociosidade dos colaboradores

 

Quais as etapas da cronoanálise?

Para realizar uma cronoanálise representativa, apresentando o tempo real de cada processo, é preciso seguir etapas planejadas e ter alguns cuidados. O passo a passo a seguir explica as etapas necessárias para a realização da cronoanálise.

 

Passo 1 – Mapear e entender os processos que serão estudados

Para início do processo, recomenda-se realizar um mapeamento de processos, para identificar quais são as atividades existentes no fluxo produtivo onde a cronoanálise será aplicada. Veja um exemplo de mapeamento de processos a seguir.

 

Cronoanálise - Setor de preparação da peça

 

Passo 2 – Dividir a atividade em elementos

Os elementos de uma operação são as partes menores em que a operação macro pode ser dividida. Por isso, é preciso tomar cuidado para não dividir a operação em um grande número de elementos, ou em um número pequeno demais. Para facilitar, convém que estes elementos sejam:

  • Compostos de movimentos homogêneos
  • Periódicos
  • De curta duração, mas que possam ser cronometrados (superior a 4 centésimos de minuto)

É importantíssimo identificar pontos de separação claros entre os elementos, ou seja, onde começa e onde termina cada elemento de forma exata. Dessa forma, haverá uma marcação exata dos tempos para cada elemento. Veja um exemplo de divisão de elementos a seguir:

 

Cronoanálise - Elementos

 

 

Passo 3 – Determinar o número de ciclos a serem cronometrados

Determinados os elementos, é necessário cronometrar de cinco a sete amostras de tempo preliminares que irão servir de base para nossa fórmula de ciclos. Dessa maneira, após recolher esses tempos preliminares, os dados devem ser colocados em uma equação para se obter os números de ciclos.

Cronoanálise - Fórmula

 

Nesse sentido, as letras representam:

  • N = Número de ciclos a serem cronometrados;
  • Z = Coeficiente de distribuição normal para uma probabilidade determinada
  • R = Amplitude da amostra;
  • Er = Erro relativo da medida;
  • d2 = Coeficiente em função do número de cronometragens realizadas preliminarmente;
  • X = Média dos valores das observações.

 

Na hora de aplicar essa fórmula, uma dica importante é entender que já existem alguns padrões estabelecidos para sua aplicação. Veja algumas essas padronizações a seguir:

 

1. Utilização do Z: Costuma-se utilizar o valor do Coeficiente de distribuição normal (Z) para uma probabilidade entre 90% e 95%, que deve ser estabelecido de acordo com a tabela a seguir.

Cronoanálise - Coeficiente de probabilidade

 

2. Utilização do Er: Costuma-se utilizar o valor do Erro relativo (Er) da medida, variando entre 5% e 10%.

 

3. Como usar o R e o X: Dos valores obtidos nas cronometragens preliminares obtém-se os valores de R e X. A amplitude da amostra (R)  é a diferença entre o valor de tempo máximo e o valor de tempo mínimo das cronometragens preliminares, quanto a média dos valores das observações (X) é a soma dos tempos sob o número de tempos coletados.

 

4. Utilização do d2: O valor do Coeficiente (d2) é estabelecido em função do número de cronometragens realizadas preliminarmente. Para isso, basta utilizar a tabela abaixo e relacionar o valor do d2 com o número de amostras.

Cronoanálise - Coeficiente em função do número de cronometragens

 

Passo 4 – Cronometrar e registrar o tempo gasto pelo operador

Após determinar os ciclos, inicia a etapa para cronometrar o tempo que o operador leva para realizar cada um dos elementos das tarefas mapeadas, na quantidade ciclos expressa pela fórmula.

Dica: Para a cronoanálise recomenda-se utilizar o cronômetro decimal, onde a unidade de medida usada é o tempo centesimal, pois facilita a realização de cálculos posteriormente.

 

Passo 5 – Avaliar o ritmo do operador para encontrar o tempo normal

Como o fator de produtividade depende da mão de obra, a velocidade de realização da tarefa pode aumentar ou diminuir de acordo com o ritmo do operador. Por esse motivo, o cronoanalista deve se atentar a esses fatores e classificar a velocidade do funcionário.

Esses fatores podem ser:

  • O operador possui uma experiência que poucos possuem, realizando a tarefa mais rápido que o normal;
  • O operador não possui nenhuma experiência, realizando a tarefa mais lento que o normal;
  •  O operador está buscando uma recompensa pela produtividade;
  • O fato de estar sendo cronometrado pode alterar o ritmo de execução da tarefa.
  • Fadiga. 

 

Essa avaliação é feita de forma subjetiva, não há uma forma técnica ou um cálculo para mensurar esse dado. A avaliação do ritmo, portanto, depende do julgamento pessoal de quem estiver fazendo o estudo de tempos, sendo classificado como:

  1.  Velocidade abaixo do normal – trabalhando lentamente
  2. Velocidade normal – trabalhando sem hesitações
  3. Velocidade acima do normal – trabalhando em um ritmo mais rápido

 

Assim, o tempo normal é calculado levando em consideração o tempo cronometrado e o fator de avaliação de ritmo. O tempo cronometrado deve ser ajustado para cima quando estiver em uma velocidade acima do normal, em contrapartida, para uma velocidade abaixo do normal o tempo deve ser ajustado para baixo.

Por exemplo, caso o operador acabe realizando uma atividade mais rápido que o normal é conveniente multiplicar o tempo cronometrado por 1.1. Caso faça mais devagar, a multiplicação por 0.95 será uma boa opção. A velocidade normal é 100%, logo a multiplicação por 1 não é necessária.

Tempo Normal = Tempo cronometrado x Velocidade do operador

 

Passo 6 – Determinar as tolerâncias

Para determinação da tolerância, são levados em consideração fatores como o ambiente de trabalho e a natureza do trabalho exercido. 

Tal análise é necessária pois o trabalhador pode executar suas tarefas em áreas muito quentes, com ruídos, pouca iluminação, umidade, resíduos, etc. Tais princípios podem desenvolver fadiga, sendo assim, diminuindo produtividade.

 Tipos de tolerância:

  • Tolerância para atendimento das necessidades pessoais que em uma jornada de 8 horas diárias de trabalho consomem de 10 a 24 minutos;
  • Tolerância para alívio da fadiga que em uma jornada de 8 horas diárias de trabalho consomem de 72 a 96 minutos;
  • Tolerância para espera de trabalho ou de material para realizar o trabalho. Neste caso, só é possível quantificar a partir de observações específicas.

Cronoanálise - Fórmula tolerâncias

Dessa forma, os símbolos significam:

  • FT = Fator de Tolerância
  • P = Tempo de intervalo dado divido pelo tempo de trabalho

 

Passo 7 – Determinar o tempo padrão para a operação

Para esta etapa final, iremos utilizar dois dos itens já que obtivemos nas etapas anteriores, o tempo normal e o fator tolerância, obtendo assim, o tempo padrão das atividades analisadas.

Tempo padrão = Tempo normal x fator tolerância

 

Como fazer uma planilha de cronoanálise no Excel?

Não existe uma maneira certa de se fazer uma planilha para cronoanálise, pois cada processo tem suas variáveis e peculiaridades. O cronoanalista deve documentar os dados de maneira que facilite seu estudo em cima dos tempos posteriormente.

Porém, alguns dados são imprescindíveis, como a descrição da atividade que está sendo realizada, o tempo de duração e a velocidade do operador. Assim, basta o cronoanalista organizar as demais variáveis em colunas e começar os estudos.

 

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