COMO CALCULAR A MARGEM DE LUCRO DE UM PRODUTO?

Tempo de Leitura: 15 minutos

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O que é margem de lucro? 

A margem de lucro de um produto é um indicador financeiro que representa o quanto a empresa lucra, efetivamente, com sua venda, estando relacionada ao crescimento sustentável do negócio. Por isso, é tão importante determinar esta porcentagem de maneira criteriosa e realista.

Diversas variáveis devem ser levadas em consideração na hora de calcular a margem de lucro, a começar por uma boa análise dos preços praticados pela concorrência. Além de valores intangíveis que atestam a qualidade do produto, como alcance da marca e tempo de mercado.

 

Qual a diferença entre margem de lucro e lucro? 

O lucro, por definição, é o ganho obtido a partir de uma transação comercial ou econômica.  É uma quantia monetária que representa o retorno positivo da diferença entre as receitas totais obtidas com a venda de um produto em relação aos custos totais necessários para produzi-lo. No caso de um retorno negativo, ou seja, os custos de produção serem maiores do que a receita obtida, a definição utilizada é “prejuízo”.

 

Já a margem de lucro representa o valor percentual do quanto a empresa vai lucrar em relação às receitas totais obtidas de um produto ou serviço. Esse indicador financeiro ajuda a sinalizar o quão bem a empresa está distribuindo e utilizando sua renda total.

 

Margem de lucro: qual a importância de calcular? 

Calcular e monitorar corretamente a margem de lucro é imprescindível para a saúde financeira das empresas. Este indicador ajuda as instituições a saberem não só exatamente qual é a sua lucratividade, mas também precificar adequadamente seus produtos ou serviços.

 

Muitas empresas e empreendedores acreditam que um negócio está sendo rentável com base na quantidade de vendas e faturamento, o que é um erro extremamente grave. De acordo com a SEBRAE, a má gestão financeira em relação à rentabilidade da empresa é a causa número 1 dos negócios irem à falência, inclusive os consolidados no mercado. 

 

Um faturamento alto não significa, necessariamente, que a empresa possua uma boa margem de lucro e pode, muitas vezes, registrar prejuízos financeiros. A Puma, por exemplo,  mesmo sendo uma das principais empresas do ramo esportivo do planeta, chegou à beira da falência na década de 90, acumulando mais de 100 milhões de dólares em dívidas. 

Entretanto, a partir de uma reformulação no plano financeiro, ao reduzir os custos de produção, aumentar a margem de lucro e explorar o marketing, a Puma ganhou uma nova vida e se consolidou no mercado novamente.

 

Nesse contexto, é essencial que as empresas realizem corretamente o cálculo da margem de lucro. A partir disso, conseguem ter uma perspectiva melhor da rentabilidade do negócio, traçar planos de ação, aplicar mudanças estratégicas e alcançar a saúde financeira.

 

Como calcular lucro bruto e lucro líquido?

Por mais que o cálculo da margem de lucro envolva certa complexidade, existem alguns passos que podem facilitar o entendimento, mesmo para quem não é tão familiarizado com números.

O primeiro deles é compreender a diferença entre lucro bruto e lucro líquido:

Lucro bruto = receitas totais – custos

O Lucro Bruto é o cálculo da receita total adquirida com a venda, subtraindo-se os custos do produto. Ou seja, é o resultado do valor da venda menos os valores que a empresa gastou para produzir ou fornecer determinado produto.

Exemplo: se uma empresa vendeu R$ 10 mil em produtos, que tiveram o custo de R$ 6 mil, o lucro bruto foi de R$ 4 mil.

Lucro líquido = receitas totais – custos – despesas

O Lucro Líquido é o resultado da receita total menos os custos e as despesas. Ou seja, é o valor que, de fato, a empresa lucrou após subtrair os custos com o produto e as despesas indiretas (internet, aluguel etc.), que deverão ser calculadas a partir do rateio entre os demais produtos e serviços da empresa.

Exemplo: se uma empresa vendeu R$ 10 mil em produtos, que tiveram o custo de R$ 6 mil e envolveram despesas de R$ 1 mil, o lucro líquido foi de R$ 3 mil.

 

Como calcular margem bruta e margem líquida?

A partir do resultado de lucro bruto e lucro líquido, podemos passar para a etapa seguinte, que é o cálculo da margem bruta e da margem líquida:

 

Margem bruta = lucro bruto / receita total x 100

A Margem de Lucro Bruta é a porcentagem de lucro bruto que será adquirida com a venda do produto, não considerando as despesas indiretas.

Exemplo: R$ 4 mil / R$ 10 mil x 100 = 40%

 

Margem líquida = lucro líquido / receita total x 100

A Margem de Lucro Líquida é a porcentagem real de lucro a partir da venda do produto, considerando também as despesas indiretas envolvidas.

Exemplo: R$ 3 mil / R$ 10 mil x 100 = 30%

As margens de lucro, sozinhas, não fornecem uma visão completa da saúde financeira da empresa. Entretanto, como visto anteriormente, aprender a calculá-las pode expor onde os ajustes são necessários para melhorar o planejamento estratégico do negócio.

 

É indicado usar o markup para calcular margem de lucro? 

 

O markup é um método muito utilizado para calcular o preço de venda, com base no custo. Esse índice multiplicador considera o lucro como uma margem contida dentro do custo do produto. 

O markup, na verdade, é muito utilizado para a precificação do produto ou serviço, indicando se os preços estão nos valores adequados e, em caso negativo, quais alterações devem ser feitas para atingir o valor ideal. Inclusive, o índice utiliza a margem de lucro estimada, com o objetivo de alcançar o lucro desejado por meio da precificação adequada.

Porém, é preciso tomar cuidado, pois ele pode não ser um cálculo preciso, ao passo que não contempla todas as despesas envolvidas. Por isso, o mais indicado é, sobretudo, contar com o cálculo de margem bruta e líquida para não haver surpresas no final do mês.

 

Quais os tipos de margem de lucro?

Existem, hoje, três tipos de margens de lucro, as quais são diferenciadas pelo que incluem nos custos do serviço ou produto:

  • Margem de Lucro Bruto;
  • Margem de Lucro Operacional;
  • Margem de Lucro Líquido.

 

Cada cálculo fornece à empresa diferentes informações sobre o negócio, as quais podem ser extremamente agregadoras para o planejamento estratégico. Além disso, são indicadores que podem auxiliar significativamente os gestores a precificar adequadamente seus produtos/serviços e a medir a rentabilidade do negócio. 

Ademais, são indicadores cruciais para atrair investidores, uma vez que esses exigem um embasamento financeiro de dados bastante concreto e consolidado para, efetivamente, investirem seus aportes.

 

Margem de lucro bruta 

A margem de lucro bruto aponta o percentual de retorno do investimento realizado e mede a rentabilidade do negócio. É um indicador muito importante para mensurar o impacto dos custos do produto ou serviço no resultado financeiro da empresa e, também, é relevante para o processo de precificação dos produtos ou serviços.

Em resumo, a margem bruta mostra o quanto sua empresa ganha com a venda de um serviço ou produto ao subtrair as despesas para produzi-lo.

A margem de lucro bruto é calculada a partir da divisão do lucro bruto pela receita bruta da empresa:

Margem de Lucro Bruto = Lucro Bruto / Receita Bruta

 

Margem de lucro operacional 

A margem de lucro operacional indica o quanto as despesas operacionais, ou seja, as que não estão ligadas à produção e/ou à execução dos produtos/serviços, impactam para a lucratividade final do negócio.  Esse indicador é crucial para demonstrar os resultados operacionais da empresa, sobretudo para investidores e gestores avaliarem a capacidade do negócio de gerar ganhos satisfatórios.

A margem de lucro operacional é calculada a partir da divisão do lucro operacional pela receita bruta:

Lucro Bruto – Despesas Operacionais = Lucro Operacional

Margem de Lucro Operacional = Lucro Operacional/Receita Bruta

 

Margem de lucro líquida

A margem de lucro líquido representa o quanto a empresa lucra, efetivamente, para cada real de receita obtida pela venda de um produto ou serviço. Para esse cálculo, são consideradas todos os tipos de despesas envolvidas na produção, operação ou venda. 

A margem de lucro líquido é calculada a partir da divisão do lucro líquido pela receita bruta total da empresa:

Margem de Lucro = Lucro Líquido / Receita Bruta

 

Tudo o que sobrar dessa subtração será a margem líquida ou lucro líquido. Por exemplo, se a margem de lucro líquida do negócio for de 10%, para cada R$100,00 gastos, há um lucro de R$10,00. 

A margem de lucro líquido é essencial para entender a lucratividade e avaliar a rentabilidade da empresa. Uma margem de lucro líquido grande, por exemplo, representa que a empresa está no caminho certo. 

Em contrapartida, uma margem de lucro líquido baixa geralmente indica que a instituição possui problemas e deve revisar seu planejamento de gestão, demanda, precificação e/ou comercial.

 

Margem de lucro ideal 

Como explicado anteriormente, a margem de lucro serve, essencialmente, para que a empresa saiba exatamente qual é a sua lucratividade e se seus produtos/serviços são rentáveis. 

É extremamente importante, pois analisar apenas o quanto de lucro o negócio gera não significa que é possível saber ao certo se essa quantia é adequada com relação ao valor de receitas totais, despesas, custos e, sobretudo, do percentual de lucratividade sobre esses fatores.

Por exemplo, se uma empresa vende um produto por R$1000,00, e seus custos e despesas totalizam R$800,00, terá um lucro de R$200,00. Isso significa que a margem de lucro é de 20%. Agora, se uma empresa vende seu produto por R$5000,00 e seus custos e despesas totalizam R$4800,00, também terá um lucro de R$200,00, porém sua margem de lucro será de apenas 4%, bastante baixa.

De maneira geral, há uma “margem de lucro ideal” para ser adotada pelas empresas. Entretanto, esse percentual depende de uma série de variáveis, como o tipo de produto/serviço, precificação, setor, entre outras.

De acordo com especialistas, a média de margem de lucro gira entre esses valores percentuais de acordo com cada setor:

  • Serviço: 20% a 30%;
  • Comércio: 10% a 20%;
  • Indústria: 7% a 12%.

 

Contudo, como citado anteriormente, as porcentagens não seguem uma regra exata, uma vez que cada empresa possui suas particularidades. Nesse sentido, cabe aos gestores analisarem o panorama de seu negócio e seus objetivos para alcançarem a margem de lucro ideal.

 

Como saber se a margem de lucro é boa?

A margem de lucro é um indicador que varia muito de empresa a empresa, portanto considerá-la “boa” é um aspecto, muitas vezes, bastante relativo e depende dos objetivos e do modelo de negócio

Porém, há alguns fatores que podem auxiliar os gestores a avaliar se a empresa possui uma boa margem de lucro. A mais importante delas é analisar o âmbito de produtos/serviços no qual a empresa atua. 

Por exemplo, supermercados e varejistas possuem margens de lucro consideradas baixas, pois têm despesas altas devido ao estoque, empregabilidade de funcionários, transporte e espaço físico para lojas. Todavia, alimentos e produtos de consumo comuns são substancialmente fáceis de vender, portanto o lucro final acaba sendo bastante robusto.

Por outro lado, empresas desenvolvedoras de Software ou de Consultoria, por exemplo, geralmente possuem margens de lucro altas. Essas empresas têm menos custos operacionais, não possuem estoques e necessitam de menos capital para serem lançadas. Concomitantemente, joalherias e lojas de artigos de luxo seguem a mesma lógica, com baixos custos operacionais, menos vendas, mas uma margem de lucro substancialmente mais alta. 

Outro fator a se considerar é o tamanho e idade da empresa. Negócios mais novos geralmente têm margens de lucro mais altas, sobretudo pela quantidade de vendas inferior, quando comparado aos negócios já consolidados, e pelos custos operacionais baixos. À medida que as empresas expandem, geralmente diminuem a margem de acordo com o volume de vendas, quantidade de funcionários, espaços físicos, entre outros.

Enfim, uma margem de lucro “boa” depende quase exclusivamente das metas de crescimento do negócio. Se há a intenção de atrair investidores ou expandir o negócio com compras de equipamentos, por exemplo, é preciso aumentar a margem. Em outras situações, como reformulações no modelo de negócio, é necessário diminuir a margem, visando manter a competitividade do mercado.

 

Qual a margem de lucro permitida por lei?

Hoje, no Brasil, não há uma lei que limite de maneira quantitativa a margem de lucro das empresas, de modo geral. Porém, o PROCON (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) adota uma série de ações sistemáticas de fiscalização às empresas para que não haja margens abusivas que prejudiquem os consumidores.

Por exemplo, com o advento da pandemia do Coronavírus, em 2020, de acordo com o G1, o PROCON Tocantins autuou 11 estabelecimentos comerciais por venderem máscaras e álcool gel por preços extremamente abusivos. Em um dos casos, os galões de álcool gel estavam sendo vendidos com um lucro de cerca de 280%. Casos semelhantes ocorrem, também, com os preços da gasolina.

 

Como aumentar margem de lucro? 

O primeiro passo para alcançar a saúde financeira e um caminho mais rentável para um negócio é ter conhecimento sobre a margem de lucro de seus produtos/serviços e saber de sua importância para a empresa. 

Ter conhecimento sobre as diferentes margens de lucro e saber interpretar os percentuais contribui muito não apenas para o crescimento do negócio, mas também para a precificação dos produtos, para o planejamento estratégico, para traçar planos de ações, etc.

Muitas empresas enfrentam problemas relacionados a baixas margens de lucro para seus produtos/serviços. Nesse sentido, quando há margens de lucro baixas, é preciso ter muita cautela ao tomar decisões que afetem diretamente o tamanho do indicador. 

Por exemplo, não adianta simplesmente aumentar o preço das soluções oferecidas, uma vez que, apesar de elevar a margem, a empresa perderia competitividade no mercado e, muito provavelmente, teria um lucro consideravelmente menor.

Com o objetivo de aumentar a margem de lucro, existem diversas maneiras eficientes e práticas que podem funcionar, sem que o negócio perca competitividade e/ou tenha prejuízos significativos:

 

Reduzir Custos

A redução de custos é um ponto fundamental para que as empresas consigam, além de garantir uma margem de lucro satisfatória, potencializar sua produtividade, reduzir desperdícios e manter suas atividades. 

Nessa perspectiva, os gestores devem buscar reduzir e, se possível, eliminar gastos e despesas que estão sendo potencialmente desperdiçados com, por exemplo, estoque, improdutividade, falhas, excesso de colaboradores, horas extras, retrabalho, entre outros aspectos que não agregam valor ao produto/serviço final. 

É importante ressaltar, também, que a logística pode ser um grande gargalo para a redução de custos, pois pode gerar, além de adversidades relacionadas a fretes excessivos, desperdícios em movimentação/transporte, o que impacta no preço final.

 

Buscar fornecedores adequados

Algo muito importante para o aumento da margem de lucro é buscar fornecedores ideais, os que ofereçam maiores vantagens comerciais para o negócio. Para isso, os gestores devem avaliar as diversas opções no mercado e adotar critérios não só relacionados ao preço, mas também à qualidade, estrutura, cumprimento de prazos e distância. 

Inclusive, é recomendado ter cerca de três fornecedores, pois, assim, a empresa consegue se “blindar” contra aumentos de preço repentinos, por exemplo.

 

Aumentar os preços estrategicamente

Sim, há como aumentar os preços do produto ou serviço oferecido pela empresa sem que, necessariamente, perca competitividade e as vendas diminuam significativamente, porém deve ser feito de maneira estratégica. 

Apesar de existirem algumas dicas, aumentar o preço de um produto/serviço sempre depende de muitas variáveis, como o setor, posição da empresa no mercado, qualidade do produto. Além disso, existem fatores externos como os preços dos concorrentes, situação econômica, etc.

Porém, ainda assim, ao olhar para o próprio negócio, fazer os cálculos de precificação e descobrir pontos ideais, é possível sim realizar aumentos de preço sem gerar danos consideráveis. Uma ótima estratégia é utilizar a criatividade: desenvolver um produto “premium”, por exemplo, e vender mais caro, com uma margem mais robusta, é uma solução adotada por diversas empresas.

 

Elevar o valor agregado ao produto/serviço

Ter um produto ou serviço diferenciado dos concorrentes é, quase sempre, um ponto fundamental para aumentar a margem de lucro. Buscar aspectos que façam os clientes escolherem o produto da sua empresa, ao invés dos concorrentes, é extremamente importante. 

Inclusive, é mais interessante buscar diferenciais que façam o cliente enxergar valor agregado do que tentar competir demais no mercado, reduzindo muito os preços e, por consequência, a margem de lucro.

Há inúmeras características que categorizam diferenciais para as empresas:

  • Qualidade do produto;
  • Originalidade: atendimento diferenciado, estrutura física bonita/agradável, suporte pós-venda excelente;
  • Sustentabilidade: empresas que investem em sustentabilidade são vistas com muito mais credibilidade pelos consumidores, fornecedores e investidores;
  • Tecnologia: negócios que investem em tecnologia, seja em marketing, redes sociais, softwares, ou disponibilidade de diferentes formas de pagamento, por exemplo, também são muito mais valorizados pelos consumidores. 

 

Selecionar corretamente o mix de produtos

Escolher corretamente o mix de produtos da empresa pode ser um fator decisivo para o aumento da margem de lucro. 

Por exemplo, algo muito comum para os negócios é ter um faturamento extremamente alto com um produto, mas ter despesas deste produto tão altas que a lucratividade torna-se baixa. Analogamente, muitas empresas possuem produtos com faturamentos baixos, mas custos de produção baixíssimos, o que permite que haja mais lucro.

Saber o quanto cada produto impacta na lucratividade e no faturamento do negócio é um aspecto indispensável para alcançar uma boa margem de lucro e a saúde financeira. Para isso, uma sugestão é realizar uma análise ABC de produtos de estoque, a qual é uma metodologia que atribui graus de importância aos produtos com base no impacto deles no faturamento e na lucratividade da empresa.

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