SEIS SIGMA: O QUE É, BENEFÍCIOS E COMO APLICAR

Tempo de Leitura: 12 minutos

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O que você vai aprender

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Seis Sigma é um conjunto de princípios e práticas o qual tem como principal objetivo a melhoria sistemática e contínua de processos em virtude da eliminação de defeitos. Sendo assim o Seis sigma (ou no inglês Six Sigma) pode estar presente em todos os ambientes e setores de uma empresa, indo do macro ao micro, buscando identificar e eliminar a variabilidade de processos.

Neste artigo, você vai descobrir o que é a metodologia Seis Sigma e quais são os benefícios de utilizá-la em qualquer segmento de mercado. Além disso, também vai conhecer ferramentas que contribuem para a implementação desse conceito, como o Diagrama de Pareto e Poka Yokes. Boa leitura!

O que é Seis Sigma?

O Seis Sigma visa obter o menor nível de variabilidade possível através de uma série de ferramentas e princípios com metas bem estabelecidas e projetos internos para gerar melhorias aos processos de uma empresa. Com esse modelo, analisa-se o número de defeitos que não agregam ao processo, produto ou serviços. Assim, o resultado idealizado é atingir uma taxa de no máximo 3,4 erros em um intervalo de 1 milhão de amostras.

A origem da filosofia Seis Sigma aconteceu na Motorola no início da década de 1980 com o objetivo de enfrentar os seus concorrentes, que fabricavam produtos com maior qualidade e preços menores. Em 10 anos, a Motorola teve ganhos financeiros de 2,2 bilhões de dólares. Para isso, o foco direcionou-se para a real satisfação do cliente e, através da redução de defeitos e aumento de conformidade de processos e resultados, a empresa atingiu os objetivos que buscava.

Nesse sentido, o Seis Sigma utiliza-se de inúmeros conceitos matemáticos aplicados ao dia a dia para embasar seus princípios e ferramentas. Essa estratégia de gerenciamento e planejamento visa a obter resultados de alta performance e ganhos financeiros ao eliminar custos e qualidade total, a médio e longo prazo. 

Para entender de que formas a EPR Consultoria pode otimizar recursos dentro da sua empresa, confira o conteúdo sobre otimização de recursos.

O que é sigma?

Por convenção, a letra grega Sigma ( ? ) representa variabilidade, ou seja, o desvio padrão, no mundo da matemática e estatística. Dessa forma, quando falamos de business, há uma adaptação desta nomenclatura estatística, que serve para determinar a taxa de desperdício ou desvio de operação. 

Assim, os engenheiros utilizam esse método para medir o coeficiente de desempenho dos processos. Portanto, analisa-se a eficiência dos processamentos através de Sigmas divididos em faixas de defeitos por milhão. Então, o Seis Sigma é a faixa de análise que garante uma taxa de confiabilidade acima de 99,9966%.

Seis Sigma - O que é?

Onde utilizar a metodologia Seis Sigma?

Por mais que seu uso inicial venha do setor industrial de larga escala, a metodologia Seis Sigma possui uma ampla área de atuação. Com isso, podemos fazer uma análise voltada para a produção de produtos, execução de serviços ou até mesmo gestão e planejamento corporativo.

Além disso, as ferramentas do Seis Sigma podem aparecer tanto em ramos diferentes quanto em setores distintos de uma mesma empresa. Isso é muito comum quando se trabalha com o CEP (Controle Estatístico de Processo). Dessa forma as famosas Cartas CEP podem ser adaptadas visando a gestão de qualidade da empresa.

Com os objetivos e metas bem estabelecidos, visando a otimização de processos e redução de custos, a metodologia Seis Sigma tem uma adaptabilidade muito grande em diversos ramos. Para isso, é importante entender os principais problemas de um determinado setor ou segmento e, a partir disso, buscar resolvê-los.

Quais são as ferramentas do Seis Sigma?

Por se tratar de uma metodologia inovadora, o Seis Sigma utiliza uma série de ferramentas para facilitar sua implementação e garantir a maximização de resultados. Portanto, além de facilitar resultados, as ferramentas do método auxiliam na metrificação e definição das metas.

Conheça as mais tradicionais abaixo:

  1. Os 5 Porquês: Permite a identificação das causas ou a causa raiz dos problemas dentro do ambiente implementado, seja ele qual for.
  2. 5S: A ferramenta 5S busca otimizar recursos através da organização do espaço de trabalho, eliminando perdas e desperdícios vinculados ao espaço. Os 5S na sequência são: senso de utilização, senso de organização, senso de limpeza, senso de higiene e senso de disciplina.
  3. Diagrama de Pareto: O gráfico de Pareto permite a identificação dos problemas junto com seu grau de intensidade. A ideia-chave da utilização do gráfico é auxiliar na visualização que 20% das causas fontes, geram 80% dos problemas dos processos.
  4. Kaizen: Através dessa ferramenta é possível identificar pontos de eliminação de desperdícios, tendo como base a aplicação de melhorias de estratégias ligadas ao PDCA. Baseado nisso, idealiza-se o momento de preparação do Kaizen. Logo em seguida ocorre a implementação das mudanças estabelecidas e, por fim, há o controle e acompanhamento das mudanças propostas.
  5. Poka-Yoke: Os Poka-Yokes são as idealizações à prova de erro. Ou seja, o processo de análises para prevenção e correção de possíveis erros humanos em algum processo. Sendo assim, a presença de Poka-Yokes é muito comum em equipamentos de grande porte ou periculosidade, justamente para garantir a segurança do operador.

A combinação e a utilização de tais ferramentas, portanto, acelera o processo de eliminação de erros e desperdícios dentro da empresa. Com isso, existem muitos benefícios que surgem após a implementação, como aumento de eficácia dos processos internos, eliminação de gargalos e defeitos, melhoria nos produtos ou serviços oferecidos e, por fim, aumento da satisfação do cliente.

Quais são os níveis da metodologia Seis Sigma?

Para quantificar melhor os níveis de atuação e complexidade da metodologia Seis Sigma, divide-se em cinco pilares, que são denominados de “Belts” de Seis Sigma. Bem semelhante às tradicionais artes marciais, os Belts possuem cores diferentes de acordo com sua graduação.

  1. White Belt: O nível mais básico no processo de implementação Seis Sigma. Em uma equipe designada para tal tarefa, os White Belts buscam auxiliar as equipes na execução dos projetos..
  2. Yellow Belt: São normalmente encarregados da construção dos mapas de processos e auxiliar na coleta de dados no início de projeto.
  3. Green Belt: Focam na identificação e implementação de melhorias na empresa, auxiliando na criação dos mapas e dados para construção de uma solução que agregue ao produto ou serviço.
  4. Black Belt: São os profissionais que detém a técnica de melhorias de processos e análise estatística. Por serem essa referência de conhecimento, esses colaboradores lideram a equipe composta pelos demais Belts.
  5. Master Black Belt ou Champion: São os responsáveis por traduzir as metas estabelecidas do alto nível estratégico do programa Seis Sigma. Além disso, cuidam da manutenção dos programas e garantem a qualidade dos projetos estabelecidos.

Para garantir a maximização dos projetos de melhoria, as equipes devem conter todos os níveis de graduação com dedicação constante. Com isso, os resultados alcançados são muito animadores e promissores para a empresa como um todo.

Como aplicar a metodologia Seis Sigma nas empresas?

Com o entendimento da metodologia, princípios, ferramentas e classificação do Seis Sigma, é interessante pensar na aplicação do programa.

Muito baseado no ciclo de PDCA (Plan-Do-Check-Act), a implementação dos projetos de Seis Sigma preza pela eliminação de erros. Isso acontece em conjunto da mensuração do desempenho das mudanças propostas e da qualificação de processos e colaboradores através dos conhecimentos desenvolvidos ao longo da execução. 

Para tanto, o processo de implementação pode ser dividido em duas frentes. A primeira, DMAIC, v
olta-se para projetos focados em melhorar processos já existentes na empresa. Já a frente que atua com projetos não existentes, ou seja, focados em novos desenhos de produtos, serviços e processos chama-se DMADV. 

Saiba mais sobre cada uma delas na sequência:

DMAIC

O anagrama DMAIC (definir, medir, analisar, melhorar e controlar) diz respeito a um roteiro pré-estabelecido para auxiliar na implantação dos projetos de Seis Sigma. Com as etapas bem definidas, o objetivo central é propor uma solução de problemas de forma estruturada e com foco na melhoria contínua.

1 – Definir

O primeiro passo para o projeto é identificar o problema que necessita de aprimoramento. A partir disso, avaliar o histórico do problema e, conjuntamente, mapear os processos envolvidos.

Portanto, definindo as metas do projeto de melhoria de forma clara, a equipe saberá por onde deve começar a próxima etapa. Assim, mapeados os processos envolvidos e identificados desperdícios, a próxima etapa será medir a eficiência e entrega de resultados dos mesmos.

2 – Mensurar

Nesta etapa, é importante mensurar o sistema existente. Ou seja, antes de buscar melhorias é imprescindível entender cada etapa dos processos internos na sua totalidade. A partir dessa análise, deve-se estabelecer métricas viáveis e confiáveis para monitorar o progresso rumo aos objetivos definidos no passo anterior.

3 – Analisar

O objetivo chave da análise é identificar alternativas para eliminar a lacuna entre os números atuais e as metas definidas anteriormente. Para tanto, deve-se utilizar dados históricos e sólidos com base em princípios estatísticos.

Assim, para a comprovação de tais análises, muitas empresas realizam benchmarking. Ou seja, trocam informações quanto ao rendimento e qualidade do setor, produto ou serviço analisado pela equipe do projeto Seis Sigma. Dessa forma, com parâmetros idealizados pode-se comprovar que enquanto um concorrente entrega tal resultado, a empresa em questão também pode atingi-lo, implementando as alternativas de melhoria propostas. 

4 – Incrementar

Após a análise de dados,  realiza-se a melhoria do processo sem realizar mudanças estruturais. Nessa etapa, a capacidade criativa para encontrar novas soluções e melhorar os processos é um diferencial importante. Então, toda ideia deve ser considerada, ponderada e se for a ideal, implementada.

Nesse sentido, a
cultura da empresa pode dificultar o processo de desenvolvimento e execução de uma ideia para melhorar os processos. Isso acontece porque a vontade de inovar e melhorar vem de baixo para cima. Portanto, é fundamental que os gestores da empresa sempre promovam um ambiente aberto à criatividade e desenvolvimento de ideias. Além disso, investir na diversidade da equipe também é uma boa prática aqui.

5 – Controle

Por último, o controle é muito importante para o novo sistema desenvolvido. O objetivo dessa etapa é garantir que as metas alcançadas serão mantidas a longo prazo. 

Dessa maneira, o desenvolvimento de indicadores durante o projeto são essenciais para controlar o desempenho do que se implementou. A partir disso, a maior estabilidade nos processos, um dos pilares da metodologia Seis Sigma, será contemplada com maior efetividade.

Seis Sigma - DMAIC

DMADV

O DMADV (definir, medir, analisar, desenhar e verificar o desenho) diz respeito a um roteiro pensado para auxiliar na idealização de novos processos, produtos ou serviços através de projetos de Seis Sigma. Portanto, para a execução de ideias, o ciclo DMADV promove o desenvolvimento dessa inovação. Logo, a visualização das novas entradas e saídas e a quem esse projeto novo atingirá direciona a implementação da novidade.

1 – Definir

Igualmente ao DMAIC, o primeiro passo para o projeto é definir metas que sejam bem claras para os processos e as melhorias almejadas. Essas metas serão os novos objetivos estratégicos da sua empresa. 

Nesta etapa, é importante estudar os processos que serão envolvidos para implementação da novidade. Ao mesmo tempo que deve-se dar espaço para todas ideias, é fundamental levantar todas as considerações para implementação do projeto, sejam elas positivas ou negativas. Dessa forma, as metas serão melhor definidas e o novo projeto melhor direcionado.

2 – Mensurar

Com metas bem definidas, a equipe irá mensurar a efetividade do sistema atual. Antes de propor melhorias, portanto, é essencial medir o desempenho dos processos internos atuais. 

A partir disso, serão definidas as métricas viáveis e confiáveis para a monitorar o progresso rumo às metas definidas no passo anterior. Para esse acompanhamento, dados deverão ser coletados a partir dos indicadores estabelecidos para que as próximas etapas tenham uma fonte sólida de informações para acontecerem da melhor forma.

3 – Analisar

A etapa de análise é a última das etapas onde DMAIC e DMADV são semelhantes. Portanto, analisa-se o sistema atual com os dados coletados na etapa anterior, buscando identificar, explanar e priorizar novas possibilidades. 

4 – Desenhar

A etapa de desenho consiste em desenhar detalhes, otimizar o projeto e planejar a verificação do desenho. Esta fase se torna uma das mais longas pelo fato de necessitar muitos testes. Inicialmente, as melhorias serão experimentadas em pequena escala e, se indicarem resultados positivos, serão testadas posteriormente em larga escala. 

5 – Verificar

Por último, nesta etapa verifica-se o desempenho final do projeto implementado. Após estabelecido um período de acompanhamento do projeto, apresentam-se todos os indicadores de desempenho da inovação proposta.

O uso de ferramentas da metodologia Seis Sigma citadas aqui, inclusive, contribuem para o entendimento real do estado passado
versus o estado atual de um novo processo, produto ou serviço. Logo, é importante não somente olhar os números apresentados, mas entender porque eles melhoraram ou não.

Com a validação do novo projeto  por meio do ciclo DMADV, o entendimento dos motivos para sua implementação efetiva pode propiciar replicação do mesmo em outros setores da empresa ou de um outro segmento.

Saiba mais: o que é a metodologia Lean Seis Sigma?

Para a maximização de resultados, foi idealizada a união de dois princípios produtivos, o Lean Manufacturing e o Six Sigma. Por terem seus objetivos semelhantes, tal combinação é proposta com harmonia aos projetos internos.

O Lean Manufacturing, ou também produção enxuta, é o termo dado às práticas que tornaram a Toyota – uma empresa japonesa em crise no período pós Segunda Guerra Mundial – em uma potência global. Hoje a metodologia se expande em cenário mundial e, mais simples do que parece, a produção enxuta consiste em otimizar sua produção, fazendo mais com menos

Portanto, o Lean Manufacturing com enfoque na maximização da redução de desperdícios e melhor performance dos processos, e o Seis Sigma direcionado para redução da variabilidade e maior estabilidade dos processos, promovem uma união ainda mais eficaz para melhores resultados. Apesar de terem objetivos similares, os conceitos e ferramentas somados podem gerar um impacto positivo muito grande para qualquer empresa.

Quer se aprofundar no assunto? Então confira, também, nosso artigo sobre Lean Manufacturing!

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